| UM TERÇO DOS PORTUGUESES TEM SÍNDROMA METABÓLICA |
| Sexta, 29 Janeiro 2010 13:48 |
Mulheres são mais afectadas pela doençaObesidade, hipertensão arterial e baixos níveis de bom colesterol foram os factores de risco mais frequentemente detectados. A criação de estratégias de prevenção e que permitam identificar quais os indivíduos em risco poderá ajudar a reduzir a prevalência da doença em Portugal. Especialista defende, contudo, que é necessário evitar o sedentarismo, aumentar a actividade física e apostar numa dieta saudável. Perto de um terço dos portugueses inquiridos num estudo apresentou Síndroma Metabólica, um conjunto de factores de risco, como obesidade e hipertensão arterial, que duplica o risco de doenças cardiovasculares e quintuplica o desenvolvimento da diabetes. O estudo, divulgado ontem no XI Congresso Português de Endocrinologia, envolveu 2.355 mulheres e 1.740 homens com mais de 18 anos, representando 35 centros de saúde dos 18 distritos de Portugal Continental. O coordenador do trabalho, Luís Raposo, da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, explicou que existem várias definições da Síndroma Metabólica e a sua prevalência pode variar de acordo com a definição utilizada. Neste estudo, foram valorizados cinco parâmetros: o perímetro da cintura, a pressão arterial (sistólica e diastólica) e os valores sanguíneos em jejum da glicose, triglicerídeos e HDL (colesterol bom). A Síndroma Metabólica “é uma entidade clínica que confere um risco aumentado de diabetes (cinco vezes) e de doença cardiovascular (duas vezes) e define-se pela presença de, pelo menos, três de cinco factores de risco vascular pré-definidos”, explicou o endocrinologista. O estudo revelou que 32,7% da população estudada apresentou Síndroma Metabólica, sendo mais prevalente nas mulheres (27,3%) do que nos homens (24,9%). Esta prevalência é elevada quando comparada com alguns países da Europa (por exemplo França), aproximando-se, porém, da prevalência encontrada em outros países do sul da Europa (algumas regiões de Espanha, Itália e Grécia). Em relação aos Estados Unidos, a prevalência é ligeiramente superior, um dado “preocupante”, uma vez que é um país com elevada taxa de obesidade, comentou Luís Raposo. O estudo verificou também uma “elevada prevalência” de obesidade central, por critérios do perímetro da cintura: 42,4%. “Curiosamente aqui encontramos grandes diferenças entre homens (25,9%) e mulheres (54,7%)”, observou o médico, adiantando que é nestes dados que podem estar a resposta para a prevalência da Síndroma Metabólica ser maior nas mulheres. Relativamente ao HDL baixo, foi registada uma elevada prevalência nos homens e mulheres, sempre superior a 40%. Outro dado preocupante relaciona-se com a hipertensão arterial, detectada 52% das pessoas, das quais apenas 24,7% estão controladas. Luís Raposo salientou que há factores que potenciam o aparecimento da síndroma metabólica, como o sedentarismo, diminuição da actividade física, o excesso ponderal e também a dieta pouco saudável. “Temos um quadro negro”, mas há uma forma de o ultrapassar isso, alterando o estilo de vida, sublinhou, considerando que o estudo pode ajudar “a criar estratégias para prevenir, mas também para tentar encontrar os indivíduos em risco, que não sabem que têm a síndroma metabólica”. Estudo da Prevalência da Síndrome Metabólica em Portugal Continental, que decorreu entre 2007 e 2009, é resultado da parceria entre o Grupo de Estudo da Insulino-Resistência, da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, e o Serviço de Higiene e Epidemiologia da Faculdade de Medicina do Porto. Fonte: Lusa/RCM Pharma |

Mulheres são mais afectadas pela doença

























