| MAIS DE 100 MIL PESSOAS EXPOSTAS A RISCO QUÍMICO |
| Sexta, 22 Janeiro 2010 13:50 |
Campanha europeia visa sensibilizar patronatoNos sectores da madeira, do mobiliário e da construção civil há mais de cem mil trabalhadores em risco de contrair doenças respiratórias, cancro e alergias por exposição a químicos. Em Portugal, existe uma subnotificação dos casos de doenças profissionais, pois estas, muitas vezes, só se manifestam após o trabalhador deixar a vida activa, o que dificulta o determinar da relação de causalidade entre a doença e a exposição a substâncias perigosas. Em Portugal, há 101 mil pessoas a trabalhar com madeiras - em serrações, carpintarias, fábricas de painéis, no mobiliário e na construção civil - que correm riscos de contrair doenças graves, sobretudo do foro respiratório. Mas também alergias e doenças de pele, bem como cancro. Isto porque, na sua actividade profissional, estão expostas diariamente a substâncias perigosas que podem estar nos vernizes e colas, e ao pó das madeiras. Tudo sem qualquer espécie de protecção colectiva ou individual, como disse o inspector-geral do Trabalho. Paulo Morgado de Carvalho esteve ontem no lançamento de uma campanha europeia destinada a incentivar a avaliação de riscos, uma competência das entidades empregadoras, e a sensibilizar empresas e trabalhadores para os mesmos. A campanha, a decorrer este ano nos 27 Estados membros da União Europeia, terá como alvo em Portugal precisamente o sector das madeiras e do mobiliário. Não porque este seja dos mais perigosos - esses continuam a ser os da agricultura, da indústria e da construção civil no seu todo, aos quais continuam a estar associados riscos para a segurança e saúde dos empregados - "mas porque é aquele em que sentimos haver pouca avaliação e sensibilização", explicou Paulo Morgado de Carvalho, até por desconhecimento dos empresários e dos próprios trabalhadores. "Não esqueçamos que neste sector há ainda várias empresas de carácter familiar", sublinhou o inspector. Noutros Estados membros, os alvos serão os sectores da reparação automóvel, limpezas industriais e panificação. E as pequenas e médias empresas dos quatro segmentos de actividade serão os destinos principais da campanha, coordenada pela Autoridade das Condições de Trabalho portuguesa. O seu objectivo é prevenir as doenças profissionais, que muitas vezes se manifestam já depois de o trabalhador deixar a vida activa. O que dificulta o determinar da relação de causalidade entre a doença e a exposição a substâncias perigosas a que a pessoa esteve sujeita na vida profissional, adianta o inspector-geral do Trabalho. Por isso, "ainda hoje existe subnotificação de casos de doenças profissionais". E muitas vezes estas estão onde menos se espera. O caso dos tribunais é um exemplo. Dos três que foram alvo de denúncias de trabalhadores por exposição ao amianto, Horta, Arganil e Palácio da Justiça, em Lisboa, só no Palácio da Justiça se veio a confirmar causalidade entre as doenças dos profissionais e a exposição àquela substância utilizada na construção do edifício. Por isso, na Horta e em Arganil, não se fez nada, disse António Martins, presidente da Associação Sindical de Juízes. Fonte: Diário de Notícias |

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